Dia 23 de Maio

Livro Jó - Jó

Capítulo 34 | 35 | 36

1 - PORVENTURA não tem o homem guerra sobre a terra? E não são os seus dias como os dias do jornaleiro?

2 - Como o servo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,

3 - Assim me deram por herança meses de vaidade; e noites de trabalho me prepararam.

4 - Deitando-me a dormir, então digo: Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de me revolver na cama até à alva.

5 - A minha carne se tem vestido de vermes e de torrões de pó; a minha pele está gretada, e se fez abominável.

6 - Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e acabam-se, sem esperança.

7 - Lembra-te de que a minha vida é como o vento; os meus olhos não tornarão a ver o bem.

8 - Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais; os teus olhos estarão sobre mim, porém não serei mais.

9 - Assim como a nuvem se desfaz e passa, assim aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir.

10 - Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar jamais o conhecerá.

11 - Por isso não reprimirei a minha boca; falarei na angústia do meu espírito; queixar-me-ei na amargura da minha alma.

12 - Sou eu porventura o mar, ou a baleia, para que me ponhas uma guarda?

13 - Dizendo eu: Consolar-me-á a minha cama; meu leito aliviará a minha ânsia;

14 - Então me espantas com sonhos, e com visões me assombras;

15 - Assim a minha alma escolheria antes a estrangulação; e antes a morte do que a vida.

16 - A minha vida abomino, pois não viveria para sempre; retira-te de mim; pois vaidade são os meus dias.

17 - Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas nele o teu coração,

18 - E cada manhã o visites, e cada momento o proves?

19 - Até quando não apartarás de mim, nem me largarás, até que engula a minha saliva?

20 - Se pequei, que te farei, ó Guarda dos homens? Por que fizeste de mim um alvo para ti, para que a mim mesmo me seja pesado?

21 - E por que não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniqüidade? Porque agora me deitarei no pó, e de madrugada me buscarás, e não existirei mais.

1 - E DEPOIS disto Jesus andava pela Galiléia, e já não queria andar pela Judéia, pois os judeus procuravam matá-lo.

2 - E estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos.

3 - Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes.

4 - Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo.

5 - Porque nem mesmo seus irmãos criam nele.

6 - Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está pronto.

7 - O mundo não vos pode odiar, mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más.

8 - Subi vós a esta festa; eu não subo ainda a esta festa, porque ainda o meu tempo não está cumprido.

9 - E, havendo-lhes dito isto, ficou na Galiléia.

10 - Mas, quando seus irmãos já tinham subido à festa, então subiu ele também, não manifestamente, mas como em oculto.

11 - Ora, os judeus procuravam-no na festa, e diziam: Onde está ele?

12 - E havia grande murmuração entre a multidão a respeito dele. Diziam alguns: Ele é bom. E outros diziam: Não, antes engana o povo.

13 - Todavia ninguém falava dele abertamente, por medo dos judeus.

14 - Mas, no meio da festa subiu Jesus ao templo, e ensinava.

15 - E os judeus maravilhavam-se, dizendo: Como sabe este letras, não as tendo aprendido?

16 - Jesus lhes respondeu, e disse: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.

17 - Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo.

18 - Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória; mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça.

19 - Não vos deu Moisés a lei? e nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me?

20 - A multidão respondeu, e disse: Tens demônio; quem procura matar-te?

21 - Respondeu Jesus, e disse-lhes: Fiz uma só obra, e todos vos maravilhais.

22 - Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos pais), no sábado circuncidais um homem.

23 - Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrantada, indignais-vos contra mim, porque no sábado curei de todo um homem?

24 - Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.

25 - Então alguns dos de Jerusalém diziam: Não é este o que procuram matar?

26 - E ei-lo aí está falando abertamente, e nada lhe dizem. Porventura sabem verdadeiramente os príncipes que de fato este é o Cristo?

27 - Todavia bem sabemos de onde este é; mas, quando vier o Cristo, ninguém saberá de onde ele é.

28 - Clamava, pois, Jesus no templo, ensinando, e dizendo: Vós conheceis-me, e sabeis de onde sou; e eu não vim de mim mesmo, mas aquele que me enviou é verdadeiro, o qual vós não conheceis.

29 - Mas eu conheço-o, porque dele sou e ele me enviou.

30 - Procuravam, pois, prendê-lo, mas ninguém lançou mão dele, porque ainda não era chegada a sua hora.

31 - E muitos da multidão creram nele, e diziam: Quando o Cristo vier, fará ainda mais sinais do que os que este tem feito?

32 - Os fariseus ouviram que a multidão murmurava dele estas coisas; e os fariseus e os principais dos sacerdotes mandaram servidores para o prenderem.

33 - Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda um pouco de tempo estou convosco, e depois vou para aquele que me enviou.

34 - Vós me buscareis, e não me achareis; e onde eu estou, vós não podeis vir.

35 - Disseram, pois, os judeus uns para os outros: Para onde irá este, que o não acharemos? Irá porventura para os dispersos entre os gregos, e ensinará os gregos?

36 - Que palavra é esta que disse: Buscar-me-eis, e não me achareis; e: Aonde eu estou vós não podeis ir?

37 - E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba.

38 - Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.

39 - E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado.

40 - Então muitos da multidão, ouvindo esta palavra, diziam: Verdadeiramente este é o Profeta.

41 - Outros diziam: Este é o Cristo; mas diziam outros: Vem, pois, o Cristo da Galiléia?

42 - Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia de onde era Davi?

43 - Assim entre o povo havia dissensão por causa dele.

44 - E alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lançou mão dele.

45 - E os servidores foram ter com os principais dos sacerdotes e fariseus; e eles lhes perguntaram: Por que não o trouxestes?

46 - Responderam os servidores: Nunca homem algum falou assim como este homem.

47 - Responderam-lhes, pois, os fariseus: Também vós fostes enganados?

48 - Creu nele porventura algum dos principais ou dos fariseus?

49 - Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita.

50 - Nicodemos, que era um deles (o que de noite fora ter com Jesus), disse-lhes:

51 - Porventura condena a nossa lei um homem sem primeiro o ouvir e ter conhecimento do que faz?

52 - Responderam eles, e disseram-lhe: És tu também da Galiléia? Examina, e verás que da Galiléia nenhum profeta surgiu.

53 - E cada um foi para sua casa.

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