Tudo Coopera

24/01/2017


Conta uma história que certo menino, de apenas de três anos, estava na oficina do pai, vendo-o fazer arreios e selas. O seu desejo, quando crescesse, era ser igual ao pai. Tentando imitá-lo, tomou um instrumento pontudo e começou a bater numa tira de couro.


O instrumento escapou da pequena mão, atingindo-lhe o olho esquerdo. Logo mais, uma infecção atingiu o olho direito e o menino ficou totalmente cego. Com o passar do tempo, embora se esforçasse para se lembrar, as imagens foram gradualmente desaparecendo e ele não se lembrava mais das cores. Aprendeu a ajudar o pai na oficina, trazendo ferramentas e peças de couro. Ia para a escola e todos se admiravam da sua memória, mas ele não estava feliz com seus estudos. Queria ler livros e escrever cartas como os seus colegas.

Um dia, ouviu falar de uma escola para cegos. Aos dez anos, o menino chegou a Paris, levado pelo pai e se matriculou no Instituto Nacional para crianças cegas. Ali havia livros com letras grandes em relevo. Os estudantes sentiam, pelo tato, as formas das letras e aprendiam as palavras e frases.

Logo o jovem descobriu que era um método limitado. As letras eram muito grandes. Uma história curta enchia muitas páginas. O processo de leitura era muito demorado. A impressão de tais volumes era muito cara. Em pouco tempo o menino tinha lido tudo que havia na biblioteca.

Ele queria mais. Como adorava música, tornou-se estudante de piano e violoncelo. O amor à música aguçou seu desejo pela leitura. Queria ler também notas musicais.

Passava noites acordado, pensando em como resolver o problema. Foi quando ouviu falar de um capitão do exército que tinha desenvolvido um método para ler mensagens no escuro. A escrita noturna consistia em conjuntos de pontos e traços em relevo no papel. Os soldados podiam, correndo colocar os dedos sobre os códigos, ler sem precisar de luz.

Ora, se os soldados podiam fazer isso, os cegos também podiam, pensou o garoto. Ele procurou o capitão que, prontamente, mostrou-lhe como funcionava o método. Fez uma série de furinhos numa folha de papel, com um furador muito semelhante ao que cegara o pequeno. Dia após dia, noite após noite, o jovem trabalhou naquele sistema, fazendo adaptações e aperfeiçoando-o. Suportou muita resistência. 

Os donos do instituto tinham gasto uma fortuna na impressão dos livros com as letras em relevo e não queriam que tudo fosse por água abaixo. Com persistência, o rapaz foi mostrando seu método aos meninos. À noite, às escondidas, iam ao seu quarto, para aprender. Finalmente, aos 20 anos de idade, Louis Braille chegou a um alfabeto legível com combinações variadas de um a seis pontos. O método Braille estava pronto!

O sistema permitia também ler e escrever música. A ideia acabou por encontrar aceitação. Semanas antes de morrer, no leito do hospital, Louis disse a um amigo: “Tenho certeza de que minha missão na Terra terminou”. Dois dias depois de completar 43 anos, Louis Braille faleceu. Nos anos seguintes à sua morte, o método se espalhou por vários países. Finalmente, foi aceito como o método oficial de leitura e escrita para aqueles que não enxergam. Assim, os livros puderam fazer parte da vida dos cegos.

Tudo isso aconteceu porque um menino imerso em trevas dedicou a sua vida para encontrar a luz. Com isso, enriqueceu sua própria vida e a de inúmeros seres humanos que se encontram privados da visão física. Portanto, não lamente as dificuldades impostas pela vida. Transforme-as em oportunidades para crescer e abençoar vidas. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).

 

Bispo César Santos – Presidente e fundador da Comunidade Evangélica Filadélfia.


FÁBIO FÁVERO

Pastor auxiliar da Sede internacional da Comunidade Evangélica Filadélfia, diretor da Missão Mundial Filadélfia e supervisor da Rede de Serviços.



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